Autor
I.V.Marie
Classificação
14+
Editora
Galera
Páginas
420
Publicação
2025
Bem-vindos à Academia Blackwood, a escola na fronteira entre a vida e a morte. Ninguém escolhe chegar aqui, mas depois que uma alma atravessa seus portões, a única forma de sair é sendo um dos seis escolhidos para competir no Decênio ― uma série de provas sobrenaturais e perigosas que acontece uma vez a cada década. O prêmio? Uma escolha crucial: juntar-se à elite imortal e mágica de Blackwood ou arriscar tudo para atravessar para o Outro Lado. Neste jogo de rivalidades obsessivas e traições desesperadas, cada um lutará pela vitória. Wren, atormentada pelo acidente que causou sua morte, está certa de que pode vencer. A não ser que Augustine, seu maior rival e sua grande obsessão, conquiste a vaga que deveria ser dela. Irene é dura na queda e não joga de acordo com as regras. Ela está disposta a passar por cima de tudo e todos para conseguir o que quer, incluindo sua única amiga, Masika. Já Olivier desistiu da vitória. Seu único objetivo é impedir a qualquer custo que Emilio atravesse para o Outro Lado. Mas para vencer a competição, eles vão precisar encarar a parte mais sombria, não apenas dos adversários, mas das próprias almas, revivendo os momentos mais difíceis da vida e da morte de cada um. Este Decênio não será como os outros e, para as almas da Academia Blackwood, uma coisa é certa: existem destinos muito piores do que a morte. Vencer é a única saída. Perder é só o começo do fim.
RESENHA
As Almas da Academia Blackwood mergulha o leitor em um cenário sombrio e irresistível: uma escola situada na tênue fronteira entre a vida e a morte, onde almas presas ao limbo disputam algo maior do que a sobrevivência. A Academia Blackwood não é um refúgio, mas um campo de provas, e o Decênio competição cruel que acontece a cada dez anos transforma o livro em uma narrativa intensa, marcada por tensão psicológica, magia e escolhas irreversíveis.
A trama se sustenta em personagens complexos e emocionalmente feridos. Wren carrega a culpa pelo acidente que causou sua morte e enxerga na vitória a única forma de redenção. Augustine, seu rival e obsessão, personifica o conflito entre desejo e destruição, tornando cada embate entre os dois carregado de ambiguidade. Irene, fria e implacável, rompe qualquer ilusão de lealdade ao colocar seus objetivos acima de tudo, inclusive de sua amizade com Masika. Já Olivier traz uma camada trágica à história: ele não quer vencer, apenas impedir que Emilio atravesse para o Outro Lado, mesmo que isso custe sua própria condenação.
Um dos maiores méritos do livro está na forma como o Decênio vai além de provas sobrenaturais. Cada desafio obriga os personagens a reviverem traumas, arrependimentos e segredos enterrados, revelando que o verdadeiro horror não está nos inimigos externos, mas naquilo que cada alma tenta esconder de si mesma. Essa abordagem torna a leitura mais profunda, explorando culpa, obsessão, amor e sacrifício com intensidade crescente.
Com uma atmosfera sombria, ritmo envolvente e reviravoltas que mantêm o leitor em constante alerta, As Almas da Academia Blackwood se destaca como uma fantasia dark que dialoga com temas existenciais e emocionais. Ao final, fica claro que, naquele lugar, a morte não é o pior destino possível e que vencer pode ter um preço tão alto quanto perder. Uma leitura impactante, ideal para quem gosta de histórias intensas, personagens moralmente ambíguos e mundos onde cada escolha pode ser fatal.



